sexta-feira, 21 de abril de 2017

Orientação era não registrar queixas contra a Odebrecht , diz ex-gerente do PROCON de Sumaré

Ex gerente do PROCON de Sumaré é acusada de omissão contra queixas a Odebrech na Cidade, ela afirmou em CEI que seguia orientação de Governo da época.


Os nomes dos envolvidos foram retirados da publicação, para ler a reportagem original, clique em fonte.

A ex-gerente do Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) de Sumaré afirmou que foi orientada a não registrar reclamações contra a Odebrecht Ambiental quando coordenava o órgão, em 2015 e 2016. A declaração foi dada ontem, em depoimento à CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta na Câmara de Sumaré para investigar o contrato entre a prefeitura e a empresa.
Andréa relatou que recebeu a orientação do ex-secretário de Controle Interno e Transparência de Sumaré na época. "Ele disse para não registrarmos reclamações contra a Odebrecht até que ele consultasse o setor jurídico da prefeitura, pois éramos da prefeitura e a Odebrecht tinha fechado contrato com a gente", afirmou.
Segundo ela, a ordem era apenas para a Odebrecht. Na época (2015), a empresa foi alvo de cerca de três mil reclamações de moradores de Sumaré, que apontaram que receberam duas contas iguais no mesmo mês, de acordo com a ex gerente. Também houve queixas sobre o aumento do metro cúbico e de cortes indevidos, disse a depoente.
"Era a empresa que mais recebia reclamação e não fazia nada para resolver a situação com o consumidor. Eles chegavam a copiar as mesmas respostas para solicitações diferentes, errando o nome do cliente, um control c control v (comando para se copiar no computador) mesmo", conta. A ex-gerente disse que o ex secretário não a procurou mais e que foi atrás dele e disse que ia registrar as reclamações dos clientes.
Apesar de registradas, as queixas não tiveram andamento, como nos demais casos no Procon, disse ela.
"Você não fez nenhuma sanção administrativa enquanto gerente do Procon contra a Odebrecht", disse o presidente da comissão, vereador Willian Souza (PT). Ela alegou que não tinha respaldo dentro da administração municipal para resolver a situação e que não conseguiu ter acesso a membros do Executivo ou à prefeita Cristina Carrara (PSDB) para apontar a situação e questionar a orientação do então secretário.
O vereador acusou a ex-gerente do Procon de proteger a Odebrecht. "Ela tem fotos no Facebook com a ex-prefeita, em que aparenta ter uma amizade. Como que em dois anos não conseguiu falar com ela sobre a situação? Não falou, pois é comissionada, é do PSDB e protege a Odebrecht. Por que não fez uma denúncia no Ministério Público?", indagou. O vereador Ronaldo Mendes (PSDB) criticou a ex-gerente e a acusou de omissão. "Deveria ter se empenhado em avisar o Executivo".
AVISO
Em depoimento, a ex gerente disse que no evento comemorativo dos 100 dias de gestão do prefeito Luiz Dalben (PPS), dia 10, o ex secretário falou com ela. "Ele disse para mim que teve repercussão minha fala na audiência (ela havia relatado a orientação durante audiência pública com os vereadores, motivo de ter sido convocada para a CEI)".
Ele teria dito ainda, segundo a mulher, que a ex-prefeita "ficaria chateada" se soubesse da declaração que ela fez. "Ele me contou que uma pessoa da Odebrecht ligou para ele pedindo meu telefone", acrescentou. A ex-gerente do Procon negou ter se sentido coagida e afirma que não recebeu nenhuma ligação da equipe da ex prefeita ou da empresa.
Em agosto de 2015, p ex secretário foi afastado do cargo de superintendente da secretaria de governo . A ex gerente afirmou que contou para o novo secretario a situação e sua resposta teria sido semelhante. "Ele disse que precisava conversar com o jurídico", contou. A ex-gerente ainda relatou situações precárias no Procon, como falta de fiscalizadores.
Diante das acusações, os dois ex secretarios, foram convocados para prestar depoimentos para a CEI, no Plenário da Câmara.
Também será convocado um promotor público para acompanhar os depoimentos. A CEI foi instaurada no dia 23 de fevereiro. São 120 dias para investigar o contrato entre a Prefeitura e a Odebrecht, apresentando um relatório final. Se necessário, o prazo pode ser prorrogado por igual período.

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