quarta-feira, 26 de abril de 2017

Antiga diretoria do Hopi Hari será julgada por morte de estudante; Parque luta para se manter em funcionamento


Inaugurado em 1999 com um investimento de mais de US$ 200 milhões, o parque de diversões Hopi Hari tinha planos de ser o grande parque do Brasil. A perspectiva era faturar R$ 200 milhões por ano.

Localizado em Vinhedo, o parque possui fácil acesso, pois fica às margens da Rodovia dos Bandeirantes, a 72 quilômetros de São Paulo, e 30 quilômetros de Campinas, cujas regiões metropolitanas somadas ultrapassam 24 milhões de habitantes.

Mas apesar do potencial, o Hopi Hari nunca atingiu os resultados esperados pelos investidores. O faturamento previsto, de R$ 200 milhões ao ano, nunca se concretizou, e as dívidas se acumularam, impedindo novos investimentos. Vender o empreendimento também era uma opção apontada como inviável por conta da dívida.

A partir de 2012, a situação piorou. A morte da estudante Gabriela Nichimura, de 14 anos, ocorrida em fevereiro no brinquedo “La Tour Eiffel”, uma das principais atrações do parque, abalou a imagem do empreendimento, e trouxe uma série de problemas para seu funcionamento. O laudo do Instituto de Criminalística de Campinas indicou que houve falha humana no acidente que causou a morte da estudante. O então vice-presidente do Hopi Hari, Cláudio Guimarães, reconheceu o parecer do laudo. “Houve não somente uma falha, mas um conjunto de falhas sucessivas, que somando-se acabou causando essa tragédia”.

 Em janeiro deste ano três funcionários do parque foram condenados a dois anos e oito meses de prisão pela morte da jovem. Eles responderam por homicídio culposo, e o juiz reverteu a pena em prestação de serviços à comunidade e pagamento de um salário mínimo para uma entidade social. A promotoria iria recorrer da pena. O advogado dos funcionários, Bichir Ale Bichir Júnior, ressaltou que eles somente seguiam ordens superiores. “Eles são a base, só obedecem ordens”.

O caso foi desmembrado, e a diretoria do hopi hari não respondeu junto dos funcionários, como explica o promotor do caso, Rogério Sanches. “O alto escalão do Hopi Hari, a diretoria, conseguiu um habeas corpus do Tribunal de Justiça que suspendeu o processo em relação a eles, e nós conseguimos reverter esse habeas corpus no STJ”.

Agora, um novo julgamento, tendo como réus os diretores do empreendimento, deverá ocorrer. “Agora vamos retomar o processo com releção aos diretores, temos muita prova produzida, e acredito que em um ano, um ano e pouco o alto escalão também será julgado. O Ministério Público acredita que a sentença será na mesma toada dos demais – uma pena de dois anos e oito meses”, explica Sanches. A família de Gabriela entrou em um acordo com o parque quanto à indenização pela morte da jovem.

Além dos problemas relacionados à morte de Gabriela, o Hopi Hari enfrentou outras dificuldades, especialmente relacionadas à segurança. No mesmo ano da morte da jovem, o parque foi invadido em duas oportunidades durante a madrugada. Bandidos tinham como objetivo o roubo de caixas eletrônicos situados no complexo. Em um dos casos houve explosão de um caixa eletrônico.

Em 2014, dois arrastões foram registrados durante o horário de funcionamento do parque. Clientes foram agredidos e tiveram pertences, como celulares e dinheiro, roubados por grupos de adolescentes.

Em outubro do ano passado, a justiça aprovou o pedido de recuperação judicial feito pelo Hopi Hari. A dívida estimada do grupo era de R$ 330 milhões, sendo R$ 200 milhões para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Atualmente o parque é administrado pelo empresário José Luiz Abdalla, que adquiriu 75% das ações da controladora indireta do empreendimento. Abdalla tem planos de reestruturação do parque, com projeto que inclui a construção de um complexo hoteleiro com mil e duzentos apartamentos.

Só que os problemas persistem. A CPFL interrompeu o fornecimento de energia elétrica para o parque no último dia 10de abril, por falta de pagamento. Desde então, o parque vem funcionando utilizando geradores de energia.
 
Em nota, Abdalla afirmou que o corte ocorreu devido à falta de acordo sobre formas de pagamento de dívidas antigas, e afirmou que um acordo deverá ocorrer em breve.

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