sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Doria foi arbitrário ao apagar grafites em São Paulo, afirma autor do livro Arte de Rua

Juruna fotografou por oito anos os murais que estão na região de Pinheiros e Vila Madalena


Os passeios a pé pelo bairro onde mora e a paixão pela fotografia, herdada do pai João Flórido Gonçalves, estimularam o sindicalista João Carlos Gonçalves, o Juruna, a publicar o livro-fotográfico "Arte de Rua" (editora Geração Editorial), cujo o tema são os grafites multicoloridos de São Paulo.
A obra recém-lançada amplia a discussão pública entorno das desastradas decisões da gestão João Doria (PSDB), que vem cobrindo com uma tinta cinza "sem graça" centenas de grafites.
Inclusive, alguns dos desenhos registrados pelo autor, nesses últimos oito anos, correm um sério risco de desaparecem neste delírio acinzentado do atual prefeito. "Ele deveria ter aberto um diálogo com a sociedade, inclusive com os grupos de grafiteiros e de pichadores, antes de tomar uma decisão de forma arbitrária e impor para a cidade sua concepção particular do que é uma “cidade linda”", disse o autor.
Juruna também não vê muita lógica na alternativa anunciada pelo prefeito Doria em criar o MAR (Museu de Arte de Rua), restringindo o grafite a lugares específicos. "A graça do grafite está justamente no fato de as pinturas se integrarem organicamente à paisagem urbana. Não se trata de um evento que tira as pessoas de casa em um fim de semana e as leva a uma galeria", disse. 
O livro está divido por temas, de acordo com o estilo de cada pintura. São destaques o surrealismo, o abstrato e o capítulo com desenho de pessoas. Artistas como Eduardo Kobra, Ayco Dany (do Ateliê Daki), Fernando Berg, Mundano, Speto, Bueno Caos, Luna Buschi, OsGemeos e Alexandre Puga tiveram suas obras captadas pelas lentes do sindicalista. 

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