sábado, 17 de dezembro de 2016

Veto à falta de camiseta e uso de top no Centro Cívico de Americana causa polêmica


A decisão da Prefeitura de Americana de proibir que homens se exercitem sem camiseta e mulheres de top no Centro Cívico e Jardim Botânico gera reclamações de moradores. Especialista diz que a medida é inconstitucional.
 
"Na verdade não é nova (a determinação). Ela já existe das outras gestões, que não pode a pessoa se despir de camiseta. Tem família aqui, tem criança, mulher que não se sente confortável com homens sem camisa (...) Está tendo reclamação de forma mais acentuada, porque os grupos usam uniformes adequados e meia dúzia fica sem camisa", afirmou o secretário de Esportes de Americana, Osvaldo Klein Neto, o Foca. Ele considera que a determinação não é exagerada e diz que vai manter a cobrança ativa. "Não custa colocar uma camiseta", afirmou.
 
"Total absurdo a gente ser chamado a atenção por estar se exercitando, nesse calor, em um local público, sem camiseta", reclamou o contador Sidnei Marcos, 45. "Os trabalhadores dali (do Centro Cívico) ameaçam chamar a Guarda Municipal se a pessoa se recusa a pôr camiseta ou deixar o local. A prefeitura tem tantos problemas, tanta coisa para resolver e o prefeito perde tempo preocupado com quem corre sem camiseta?", questionou.
 
Já o técnico em informática, Juliano Agra, que há 22 anos se exercita no Centro Cívico, nunca ouviu falar na proibição e não vê razão para a regra. "Quem manda censurar isso deve estar pensando alguma coisa ruim. Alguém trata essa situação com malícia. É uma besteira", opinou.
 
"As pessoas vêm se exercitar, então muitas vezes têm transpiração maior e temperatura corporal maior. Então precisa extravasar essa temperatura e transpiração (...) Isso não passa nada de desrespeitoso", comentou o operador de empilhadeira Denis Diego Casemiro, 31, que também utiliza o espaço.
 
O advogado Gustavo Binenbojm, mestre em direito público e professor de direito administrativo da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) disse que a prefeitura não poderia adotar essa medida. "Não existe nenhum fundamento na Constituição da República para proibir a pessoa de estar em praça pública, sobretudo aberta, ao ar livre, obrigada a trajar determinado tipo de vestimenta. É o princípio básico da liberdade", avaliou. Ele também afirmou que as pessoas contrárias à proibição podem acionar a Justiça ou o Ministério Público.

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