quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O estupro e assassinato de uma estudante de 19 anos que provocou uma polêmica sobre refugiados na Alemanha

Um crime horrível que agora ameaça se transformar em um problema político na Alemanha. A estudante Maria Ladenburger, de 19 anos, foi estuprada e assassinada na cidade Freiburg, no sudoeste do país.

Fonte: BBC Brasil

A jovem foi atacada às 2h30 da manhã, quando voltava para casa de bicicleta, após uma festa da universidade. Seu corpo foi encontrado no dia 18 de outubro, na margem do rio Dreisam.
 
Local onde foi achado o corpo de Maria Landenburger

Foto:
Moradores de Freiburg deixam flores no local onde foi encontrado o corpo da estudante Maria Landenburger.
 
Desde então, a tranquila cidade alemã vive o choque da morte da estudante, que trabalhava como voluntária em um centro de recepção de refugiados.

A natural comoção, no entanto, deu espaço para a agitação política depois que as autoridades anunciaram a prisão do suposto assassino: um refugiado afegão de 17 anos. 
 
Da Justiça à política

A possibilidade de um refugiado ter causado a morte de Ladenburger incendiou o debate político na Alemanha, num momento em que a política de recepção de estrangeiros da primeira-ministra Angela Merkel passa por momento difícil. 
 
Angela Merkel
 
Foto: A morte violenta da estudante de Medicina trouxe à tona críticas em torno da política de asilo do governo de Angela Merkel.

A popularidade de Merkel, que tentará mais uma reeleição em 2017, caiu consideravelmente desde que, em 2015, ela autorizou a entrada no país de um milhão de refugiados e asilados vindos de países como Síria, Iraque ou Afeganistão.

Apesar disso, Merkel se recusou a aceitar as exigências da ala mais à direita do seu partido, a União Democrata Cristã, de limitar a 200 mil o total de refugiados que podem entrar na Alemanha. 

Protesto contra acolhida aos refugiados

O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD, em alemão), que tem uma posição abertamente contrária aos imigrantes, divulgou um comunicado afirmando que Ladenburger foi vítima da cultura de acolhida aos refugiados de Merkel.  
 
Foto aérea de Freiburg
 
Foto: Freiburg, no sudoeste da Alemanha, é conhecida pelo seu ambiente universitário.


No domingo passado, o militantes locais do AfD convocaram uma manifestação em Freiburg.

Conseguiram reunir apenas 30 pessoas que, por sua vez, enfrentaram a convocação de outras 300, que se manifestavam contra aquele partido. 

Cidade liberal e tolerante


Freiburg tem uma longa história de participação cívica e é conhecida pelo espírito liberal e tolerante.

Entre seus 225 mil moradores, há 40 mil jovens que frequentam a universidade local, principal fonte de empregos da cidade.

O prefeito Dieter Salomon pediu à população que evite culpar todos os refugiados pelo crime.

"O fato de que o suspeito seja um jovem vindo do Afeganistão é, claro, um estímulo àqueles que sempre acreditaram que os refugiados não são bons para o país", disse. 
 
Cartaz de boas vindas aos refugiados em Freiburg
 
Foto: Desde o começo da crise dos refugiados na Europa, Freiburg tem estado aberta para recebê-los, mas agora crime ameaça política de Merkel.
 
"Mas cada pessoa deve saber - e creio que a população de Freiburg está fazendo isso - que embora um refugiado tenha cometido um crime horrível, isso não quer dizer que todos os refugiados vão se comportar da mesma forma", segundo a rádio alemã Deutsche Welle.

O porta-voz de Merkel, Steffen Seibert, disse que embora o criminoso deva ser punido com todo o rigor da lei, não se pode esquecer que se trata do "possível ato de um refugiado afegão, mas não de todos os afegãos nem de todos os refugiados". 

Apesar dos apelos para que se evitem as generalizações, a imprensa alemã informou ter registrado um aumento importante das críticas em relação aos refugiados.

O jornal Der Tagesspiegel, de Berlim, disse que o volume de mensagens que normalmente recebe dos leitores quadruplicou e que elas não podem ser publicadas porque não obedecem aos seus padrões. 

O caso mostra que o tema dos refugiados deve ser mesmo um dos mais sensíveis na campanha eleitoral alemã em 2017.
 
 
 


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