segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Elize Matsunaga é condenada a 19 anos, 11 meses e 1 dia de reclusão por matar e esquartejar o marido

Júri começou na segunda-feira (28) e terminou depois de 7 dias no Fórum da Barra Funda.


Após sete dias de julgamento, Elize Matsunaga foi condenada a 19 anos, 11 meses e 1 dia de prisão em regime fechado por matar e esquartejar o marido Marcos Matsunaga, diretor e herdeiro da Yoki. O júri começou no último dia 28 no Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste da capital, e só terminou na madrugada desta segunda-feira (5).

Elize, presa em Tremembé desde junho de 2012, era acusada de homicídio doloso triplamente qualificado (motivo torpe, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e meio cruel), além de destruição e ocultação de cadáver. Ela foi condenada apenas pela qualificadora de impossibilidade de defesa da vítima e por ter esquartejado o corpo.

De acordo com as investigações, ela suspeitava que o marido estivesse tendo um caso e contratou um detetive particular para segui-lo. Segundo a versão dela, o marido foi morto com um tiro na cabeça após uma discussão na qual ela teria sido agredida. Porém, para o Ministério Público, Elize teria matado por dinheiro e teria premeditado o crime.

Durante o interrogatório, Elize contou detalhes do que teria acontecido na noite em que matou o marido. Ela desconfiava que Marcos estava tendo um relacionamento com outra mulher e contratou um detetive para segui-lo enquanto ela viajou para o Paraná com a filha do casal, então com um ano. Na volta, diante do que ela chamou de "mais uma mentira", Elize acabou confrontando o empresário durante o jantar.

Depois disso, segundo Elize, ela foi para outro cômodo da casa e pegou uma arma que o casal deixava guardada, mas se arrependeu. Ela ouviu que Marcos estava vindo em sua direção e ficou assustada.

— Eu não esperava isso dele, eu fiquei com medo. Eu queria que ele parasse. Ele me viu armada e eu apontei a arma para ele. Ele estava me xingando, ele não parou, continuou andando. Ficou surpreso [quando me viu com a arma] e começou a rir, falou que eu não tinha coragem de atirar. Falou que eu era uma p***, para eu ir embora com minha família de b**** para o Paraná e deixar minha filha aqui. Quando falou que eu não ia mais ver minha filha eu não aguentei. E eu disparei. Na hora eu estava com o coração na garganta.

Após o crime, ela disse que não sabia o que fazer com o corpo e decidiu esquartejá-lo. 

Elize contou ter arrastado o corpo do marido para um quarto de hóspedes, limpou o rastro de sangue que ficou no corredor e iniciou o esquartejamento na manhã seguinte.

Na sequência, ela colocou as malas no seu carro e continuou com o plano para esconder as partes do cadáver. Elize começou a dirigir sentido Paraná para deixar os sacos em algum mato, mas mudou de ideia. Foi quando ela dirigiu até a região de Cotia, na Grande São Paulo, e espalhou os sacos plásticos com as partes do cadáver, despejou as malas numa caçamba e retornou para casa. O corpo de Marcos foi encontrado cerca de uma semana após o desaparecimento.

Elize confessou o crime e disse ter agido sozinha — informação contestada pela acusação que acredita que ela teve ajuda para se livrar do corpo. Um laudo indica que os cortes foram realizados por pessoas diferentes e foi encontrado material genético de um homem que não era Marcos no apartamento. A possibilidade de uma segunda pessoa ter ajudado na ocultação de cadáver é apurada em outro inquérito.

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