quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Desobediência de Renan afronta Justiça e pode ser fatal


Maus conselhos, cabeça quente e abuso de poder são a mistura explosiva que tem levado o senador Renan Calheiros a promover uma escalada na crise institucional e a alimentar a instabilidade política com gasolina. Nesta terça-feira, esse coquetel da insensatez pode ter sido fatal para o político alagoano, cujo "couro-duro" - como se diz em Brasília - isto é, a capacidade de enfrentar pressão, é tida como campeã.

Renan pode sair derrotado da sessão do Supremo desta quarta. Não é improvável que a liminar de Marco Aurélio Mello, que determina seu afastamento da presidência do Senado, seja mantida. De volta ao seu campo de batalha, o senador obrigará o plenário a ouvir sua defesa e a rejeitar seu afastamento - estendendo a crise que já ameaça gravemente as votações previstas para os últimos poucos dias úteis do Senado antes do recesso.

Numa demonstração de que não entregará o cargo sem longa e dolorosa batalha, Renan apresentou um terceiro recurso, já à noite. Agora pretende anular o julgamento que deu maioria à tese de que um réu não pode integrar a linha sucessória da Presidência da República.

Renan também jogou por terra o esforço diplomático do petista Jorge Viana, que foi pessoalmente ao Supremo tratar com seis dos onze ministros - os quais alertou para a gravidade e delicadeza da situação.

Renan fez e aconteceu: por duas vezes despachou o oficial de Justiça, sem assinar a notificação de seu afastamento. Sapateou na decisão de Marco Aurélio Melo que, segundo ele, "parece tremer na alma" toda vez que se fala em corte nos vencimentos - uma referência ao projeto patrocinado pelo pemedebista que promete enquadrar os super-salários no teto constitucional.

Ao fazê-lo, o senador reduz todas as atitudes, inclusive as suas, à uma irresponsável retaliação.

Nesta terça insana, Renan pode ter selado sua derrota, numa espécie de batalha derradeira, cujo desfecho o assemelha a outro pemedebista encalacrado: Eduardo Cunha

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