quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Ganso e Gabigol: o sonho europeu que começa como pesadelo


Quando um jogador promissor deixa o Brasil para jogar na Europa, imediatamente se pensa que ele será um astro em seu novo clube, pelo que estava fazendo em seus primeiros anos no esporte. A realidade é que muitas vezes, o brasileiro que vai para o exterior mostrar seu talento acaba demorando um bom tempo para convencer. 

 Ganso e Gabigol: o sonho europeu que começa como pesadelo

Este é o momento que vivem Ganso e Gabigol, ambos revelados pelo Santos e que estão tendo as primeiras chances em clubes europeus. Apesar de Ganso ser muito mais experiente, com 27 anos, o Sevilla não tem dado tanto espaço ao ex-são paulino. Gabigol, então, nem se fala. Com 20 anos e negociado após a Olimpíada, o atacante deixou o Santos e até agora só atuou 15 minutos pela Inter.

É claro que há o período inicial de adaptação e talvez os treinadores não se identifiquem tanto com o futebol deles. Mas ao menos neste começo de vida na Europa, a dupla que saiu da Vila Belmiro não tem tanta importância quanto esperava. Ganso, por exemplo, está mais pronto por tudo que já fez por Santos e São Paulo, mas isso não o credenciou a ser titular na equipe de Jorge Sampaoli. O meia tem uma assistência (contra o Alavés) no currículo em quatro atuações pela Liga Espanhola e começou bem cotado, mas acabou caindo em desprestígio, ficando de fora até da lista de relacionados.

A última partida dele com a camisa do Sevilla foi em 15 de outubro, na vitória por 3-2 contra o Leganes. Até o momento, Ganso entrou jogando como titular em apenas três jogos. E só contra o Eibar ele ficou os 90 minutos em campo.

Para Gabigol, a coisa é ainda pior, por agora. Vendido dias após a conquista da medalha de Ouro no Rio, ainda não conseguiu se encaixar no elenco da Inter. A equipe italiana vive péssima fase e ele nem sequer vai ao banco de reservas. Como o técnico Frank De Boer já está ameaçado de demissão, pode ser que as coisas mudem se outro comandante chegar.
Pesa a favor de Gabriel o fato de ele ser muito jovem. Se a Inter quiser apostar mesmo nele, terá um bom valor para os próximos anos, em uma possível renovação de elenco. Mas até lá, ele provavelmente será emprestado a uma equipe menor para ganhar minutos ou as chances que até agora não teve. Não se deve descartar uma passagem por um Cagliari, um Genoa ou outra equipe de menor projeção no cenário atual para ganhar maturidade. Mesmo porque, ele ainda tem muito o que evoluir como atleta.

A verdade é que jogar em um time europeu de grande porte não é uma missão muito fácil para os brasileiros. Nem todos eles podem ser como Neymar, que chegou com muita moral e tomou conta do Barcelona em pouco tempo. E nem sempre esta equação se resume só a talento. Somamos também as oportunidades de jogo e a adaptação, que só no contexto cultural já é bem complicada. Mesmo que as coisas não se acertem para Ganso e Gabriel neste ano, não podemos avaliar com tanta pressa que eles são um fracasso. 

Ao fim da temporada é que veremos o que pode ser dito. Se eles efetivamente puderam mostrar futebol ou se ficaram escondidos fora do banco de reservas. Convenhamos que, sem entrar em campo, fica difícil convencer o técnico do potencial verdadeiro.

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