quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Polícia vai investigar plantões em Hospital de Americana


O MPE (Ministério Público Estadual) pediu abertura de inquérito policial para investigar supostas fraudes em escalas médicas da empresa Plural no atendimento público de Americana. Segundo denúncia, na folha de ponto do Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi, médicos assinaram presença em até três plantões, no mesmo horário e em diferentes especialidades. O promotor de Justiça  determinou o início da apuração, na sexta-feira. O caso ficará a cargo da Delegacia Seccional de Americana.
 
Segundo a denúncia enviada ao MPE por profissionais da Plural, dois médicos registraram presença em plantões simultâneos entre os dias 5 e 7 de outubro. Os dois estão ativos e não consta registro de especialidade junto ao Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo).
 
No caso de um deles, segundo a denúncia, a folha de registro aponta que ele iniciou três plantões de 24 horas, ao mesmo tempo, às 7h da manhã do dia 6 de outubro. A partir das 7h da manhã do dia 7, há outros dois registros de mais 12 horas trabalhadas em especifidades diversas. Ou seja, foi registrado um total de 96 horas de plantão para um intervalo real de apenas 36 horas. A Plural informou que cada plantão custa R$ 1,4 mil.
 
Médicos ouvidos pela reportagem afirmam que a prática é recorrente no hospital. "É a prefeitura e a população que perdem dinheiro com lançamentos e pagamentos de plantões que não existem", disse um médico, que pediu para não ser identificado.
 
O presidente do Conselho Administrativo da OS Plural, Olavo Tarricone Filho, nega que haja irregularidades e é a favor das investigações. "O que existe são médicos que vestem a camisa e não deixam a população na mão. Tenho alguns profissionais que, mesmo sem receber, faziam plantões seguidos em diversas áreas para não deixar ninguém sem atendimento. Plantões seguidos, não simultâneos. Eles não são médicos, são heróis", afirmou. 
 
Tarricone informou que a documentação à qual a reportagem teve acesso, em que há carimbos e assinaturas dos médicos, está errada. Em uma planilha enviada por e-mail por ele, um dos acusados tem 12 horas de plantão feitas no dia 5 no Pronto Socorro. Já no dia 6 são 24 horas e outras 12 horas no dia 7, na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Adulto do Hospital. O outro aparece com 24 horas no dia 5 de outubro e 12 horas no dia 6, no pronto-socorro.
 
O coordenador do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) Americana, Renato Françoso Filho, afirmou que a organização ainda não recebeu denúncia e, que se notificada, poderá abrir sindicância. "Tem que apurar em que condições isso aconteceu. Se ficar caracterizado que houve intenção para ganhar mais, atender em vários setores ao mesmo tempo, é uma situação muito grave e vamos analisar as medidas a serem tomadas".

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