quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Após viagem de 500 milhões de km, sonda vai procurar vida em Marte além da superfície

Robô europeu Schiaparelli tentará arriscada tarefa de pousar no planeta vermelho.


Se tudo ocorrer como o esperado, a Agência Espacial Europeia (Esa, na sigla em inglês) colocará uma sonda em Marte nesta quarta-feira (19) com o objetivo de procurar indícios de vida no planeta além da superfície.


O robô Schiaparelli tentará a arriscada descida à superfície do planeta vermelho nas próximas horas, após uma jornada de 500 milhões de quilômetros da Terra.

O objetivo do veículo de seis rodas é perfurar a superfície em busca de vida.

O pouso do robô é visto como um treino para uma empreitada muito mais importante - e cara - nos próximos quatro anos, quando a Esa deve fazer uma expedição por Marte.

Pousar o pequeno robô Schiaparelli deve ser a parte mais simples. Mas, como mostram os registros científicos, Marte não é o lugar mais acolhedor que existe - mesmo para a tecnologia mais sofisticada, o que torna todos os detalhes da missão mais complicados.

Mais da metade das missões enviadas ao vizinho mais próximo da Terra falharam. Muitos dos robôs se perderam no caminho, erraram o destino ou acabaram destruídos na chegada.

Estágios

Para a Europa, a missão Schiaparelli é uma chance de aplacar a decepção com outra espaçonave, a Beagle-2, que em 2003 conseguiu pousar com sucesso mas em seguida teve uma pane total.

A expectativa é que a Schiaparelli se saia melhor. Ela usará uma combinação de protetor térmico, paraquedas e um conjunto de foguetes para diminuir a velocidade atmosférica inicial de 21 mil quilômetros por hora para praticamente zero quando chegar próxima à superfície.

Nos últimos dois metros, o robô de 600 kg deve se posicionar para pousar deitado. A sonda da Esa emitirá sinais em ultra-frequência para que o telescópio de uma rádio indiana os capture e envie então aos controladores em Darmstadt, Alemanha.
 
O pouso deve acontecer às 12:58 do horário de Brasília. Se a rádio indiana conseguir ouvir os sinais da Schiaparelli nesse horário, significa que o robô italiano chegou ao território marciano intacto.

"Todos estão sorrindo, otimistas, mas você também sente a tensão no ar", disse Mark McCaughrean, consultor sênior da Esa.

Alguns pesquisadores, como Colin Wilson, da Universidade de Oxford, estarão revivendo a ansiedade de 2003. Wilson controlava um sensor de vento na Beagle-2 e está voando mais uma vez a Marte com a Schiaparelli.

"É estressante. Eu construí esse instrumento há 14, 15 anos então tem sido uma longa espera. Sabemos que é um jogo arriscado, portanto precisamos nos envolver em várias missões", disse ele à BBC.

Aprendizado

A Schiaparelli deve reunir dados metereológicos enquanto durarem suas baterias, o que deve ser alguns dias.

O ganho com a missão pode ser limitado cientificamente, mas significativo em termos de tecnologia.

Se tudo correr como o esperado, os procedimentos usados para pousar a Schiaparelli na superfície, aliados a alguns elementos-chave de sua tecnologia, serão copiados na missão de colocar um explorador de seis rodas em Marte em 2021.

O robô, movido a energia solar, passará vários meses perfurando a superfície em vários lugares para procurar a presença de microorganismos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário